Iniciado no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas, o mutirão de Sumaré visa atender cerca de mil pacientes que aguardam cirurgia de vesícula pelo SUS. As operações, realizadas à noite e aos finais de semana, buscam reduzir o tempo de espera, que em alguns casos chegava a uma década.
Cerca de mil pacientes de Sumaré que aguardam por cirurgia de vesícula pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem ser atendidos nos próximos meses por meio de um mutirão iniciado no domingo (27). A iniciativa integra o programa municipal Mais Acesso à Saúde e tem como objetivo zerar a fila de espera pelo procedimento.
As primeiras quatro cirurgias foram realizadas no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas. Os procedimentos são conduzidos pelo Grupo Surgical, responsável pelas operações e pelos atendimentos pré e pós-operatórios previstos na iniciativa.
- Ação visa atender cerca de 1.000 pacientes de Sumaré com dor crônica na vesícula.
- Cirurgias acontecem no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas, à noite e nos fins de semana.
- O método utilizado é a videolaparoscopia, uma técnica menos invasiva e com recuperação mais rápida.
- Algumas pessoas esperaram até 10 anos na fila, sofrendo com dores recorrentes.
- A expectativa é que pacientes recebam alta no mesmo dia da operação, se as condições clínicas permitirem.
Para ampliar a capacidade de atendimento, as cirurgias serão realizadas diariamente no período noturno e também aos finais de semana. Segundo informações divulgadas sobre o programa, há pacientes que aguardam pelo procedimento há vários anos, em alguns casos, perto de uma década.
Técnica de cirurgia menos invasiva favorece recuperação
O mutirão prevê a realização de colecistectomias, nome técnico da cirurgia para retirada da vesícula biliar. Todos os procedimentos serão realizados por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e instrumentos específicos para a operação.
De acordo com o cirurgião Bruno Tavares Pereira, presidente do Grupo Surgical, a técnica pode favorecer a recuperação dos pacientes, desde que sejam observadas as condições clínicas individuais. Ele afirma: "São cirurgias minimamente invasivas, realizadas por equipe qualificada e com estrutura adequada. Muitos pacientes poderão receber alta no mesmo dia ou no dia seguinte, desde que apresentem condições clínicas adequadas".
O vice-presidente do grupo, Rafael Ruano, destacou a necessidade de planejamento para atender à demanda acumulada. Segundo ele, a experiência da equipe em mutirões realizados em Campinas e Piracicaba contribui para a organização dos atendimentos.
Pacientes relatam anos de espera e crises de dor
Entre as primeiras pacientes atendidas está a cozinheira Fernanda da Silva Bezerra do Nascimento, de 32 anos. Ela relata que conviveu durante cinco anos com dores e crises recorrentes enquanto aguardava a cirurgia. Segundo Fernanda, a investigação para identificar a causa dos sintomas levou quase um ano. Depois da confirmação do diagnóstico, ela ainda esperou cinco anos pelo procedimento e, nesse período, procurava atendimento hospitalar pelo menos duas vezes por mês devido às crises.
Fernanda conta: "Eu comecei a sentir muita dor na barriga, com crises de dor. Fiz alguns exames para descobrir o que era. Isso demorou quase um ano para ter o diagnóstico. Depois fiquei cinco anos esperando a cirurgia". A paciente passou pela operação no primeiro dia do mutirão e recebeu alta no mesmo dia. A expectativa, segundo ela, é recuperar a qualidade de vida após anos convivendo com as dores. Ela comemora: "Vai melhorar muito. Só de saber que não vou sentir mais aquela dor insuportável".
Entenda quando a cirurgia é indicada
A colecistectomia costuma ser indicada quando pedras na vesícula, também chamadas de cálculos biliares, provocam sintomas ou complicações, como crises recorrentes de dor e inflamações. A vesícula biliar armazena e concentra a bile produzida pelo fígado, substância que participa da digestão. Quando há cálculos sintomáticos, o paciente pode apresentar episódios de cólica biliar. Em situações como a colecistite aguda, caracterizada pela inflamação da vesícula, a avaliação médica deve ser rápida.
Segundo Bruno Tavares Pereira, a retirada do órgão não impede, em geral, que o paciente mantenha uma vida normal. Após a cirurgia, a bile produzida pelo fígado continua chegando ao intestino pelas vias biliares, mesmo sem passar pela vesícula. A indicação cirúrgica, no entanto, depende da avaliação médica de cada paciente. A presença de cálculos, isoladamente, não significa que todas as pessoas precisem passar por cirurgia.
Programa amplia acesso e busca reduzir filas
O secretário municipal de Saúde, Frederico Almeida, destacou que o mutirão faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a demanda acumulada na rede pública. Segundo ele, o programa Mais Acesso à Saúde prevê aproximadamente 35 mil procedimentos, entre consultas, exames e cirurgias, com ações voltadas à ampliação da assistência e à redução do tempo de espera.
A realização das cirurgias em horários noturnos e aos finais de semana busca ampliar a capacidade de atendimento e utilizar a estrutura disponível para acelerar a realização dos procedimentos. A previsão de atender mil pacientes representa uma iniciativa de grande alcance para quem convive há anos com dores e aguarda uma solução pela rede pública. O relato de pacientes que passaram longos períodos esperando evidencia o impacto que a demora pode ter na rotina, no trabalho e na qualidade de vida.
O resultado do mutirão, porém, deverá ser medido não apenas pelo número de cirurgias realizadas, mas também pela efetiva redução da fila e pelo tempo que os pacientes ainda terão de esperar. Para que a ação represente um avanço duradouro, será importante acompanhar o cumprimento da meta, a assistência no pós-operatório e a capacidade da rede municipal de evitar o acúmulo de novas demandas.


Pacientes de Sumaré começam a ser atendidos no mutirão de cirurgias de vesícula


